Home | Institucional | Clientes | Releases | Artigos | Produtos e Serviços | Contato

 Release
28/11/2013
Simpósio SAE BRASIL Inteligência na Mobilidade aponta gargalos e saídas para o transporte metropolitano

São Paulo - Investir para resolver os gargalos na mobilidade urbana não basta. É preciso desenvolver políticas com metas e referenciais desafiadores para alcançar resultados. Esse é o olhar dos especialistas em transporte, infraestrutura, planejamento, desenvolvimento urbano e tecnologia, que apresentaram diagnósticos e propostas para melhorar a mobilidade na região metropolitana de São Paulo no Simpósio SAE BRASIL de Inteligência na Mobilidade Urbana, realizado nesta segunda-feira (25) em São Paulo.

O encontro, que contou com transmissão simultânea para Porto Alegre, RS, abordou a mobilidade com o crescimento de mega cidades, os desafios para os administradores no planejamento e a expansão da infraestrutura, utilizando os avanços da tecnologia veicular e dos sistemas de comunicação e serviços hoje disponíveis. “O que a SAE BRASIL pode fazer para ajudar? O que o governo está fazendo?”, questionou Ricardo Reimer, presidente da SAE BRASIL, ao abrir o simpósio.

A VISÃO DO GOVERNO E BANCO MUNDIAL - Bernardo Alvim, especialista sênior em Transporte do Banco Mundial, falou sobre a complexidade dos desafios da mobilidade urbana. Mostrou estudo do banco que aponta questões estruturais, como ausência de projetos e a necessidade de mais investimentos em infraestrutura. Para Alvim, a política global do País não favorece a eficácia do transporte público. A variação acumulada de preços e custos dos insumos do transporte público de janeiro de 2012 a agosto de 2013 ficou acima da inflação (no ônibus subiu 111% no período), enquanto a do transporte individual ficou abaixo (no carro novo aumentou 27%). “A cultura operacional e administrativa do transporte não promove o equilíbrio entre o desempenho operacional e comercial do sistema”, destacou Alvim, para quem o setor deve estabelecer metas e referenciais desafiadores.

Jurandir Fernandes, secretário dos Transportes Metropolitanos do Estado de São Paulo, disse que os projetos existem e que a legislação para o setor é rigorosa, mas os órgãos fiscalizadores estão desarmados. O secretário destacou que a concentração urbana e a complexidade da execução de projetos de expansão do metrô, são gargalos difíceis de serem superados. “Da concepção do empreendimento até a inauguração o prazo é de 8 anos”, frisou, ao explicar que em cada fase do projeto - concepção, desenvolvimento ambiental, civil, material rodante, e implantação – há inúmeras etapas a serem vencidas. Segundo o secretário as atuais obras da rede metroferroviária aumentarão a capacidade do sistema em mais 4 milhões de passageiros, levando a 11,2 milhões de passageiros por dia útil.

Marco Antonio Motta, diretor de Cidadania e Inclusão do Ministério das Cidades, ressaltou que na política nacional de mobilidade urbana as prioridades são para o transporte coletivo e para os modos não motorizados de transporte. Motta citou projetos em andamento, como o PAC Copa, e recursos orçamentários de R$ 50 bilhões para o Pacto da Mobilidade, que prevê ações nas regiões metropolitanas de sete capitais e em 10 municípios com mais de 700 mil habitantes, que inclui ABC e Baixada Santista. Dados apresentados por Motta apontam que o tempo gasto no deslocamento de 18,6% dos brasileiros para o trabalho nas regiões metropolitanas supera 1 hora e, entre os 10% mais pobres 30% estão excluídos do transporte público por falta de recursos para pagar a tarifa.

TECNOLOGIAS E INOVAÇÕES APLICADAS - Abel Carbonell, gerente de eletrônica da Applus+ IDIADA, mostrou o iShare, car concept elétrico com funcionalidades para a mobilidade urbana nas grandes cidades e sistema de uso compartilhado do veículo. “Trata-se de uma solução para a mobilidade, com tecnologias disponíveis adaptada às grandes cidades do mundo, cuja aplicabilidade pressupõe uma mudança cultural”, afirmou o executivo.

AmriTarsis, executivo de desenvolvimento de negócios da Cisco Systems, destacou que a evolução da Internet na mobilidade é uma realidade, mas nem todas as possibilidades possuem valor para serem adotadas. “A próxima onda é a conectividade entre as coisas, objetos inteligentes. Essa será a quinta revolução tecnológica dos tempos modernos, e o maior debate a ser travado é sobre a privacidade da informação”, sentenciou. Para Tarsis, as possibilidades tecnológicas são infinitas, mas incentivos econômicos são decisivos para haver sinergia entre elas.

Ricardo Kenzo, diretor de negócios, infraestrutura e cidades da Siemens, indicou a automação associada à eficiente utilização dos sistemas de transportes como resposta para a redução de congestionamentos, com resultados de otimização do uso da capacidade de transporte, disponibilidade de informações de trânsito em tempo real, promoção da segurança, e aumento de atratividade para o transporte coletivo.

INFRAESTRUTURA E MEIO AMBIENTE - Luiz Antonio Cortez Ferreira, coordenador executivo da ILATS, Iniciativa Latino-Americana para o Transporte Sustentável, defendeu que a construção da qualidade de vida nas grandes cidades deve ser o foco da mobilidade. “O Brasil tem um modelo de transporte que ocupa muito espaço, divide a cidade e deteriora o tecido social”, disse o arquiteto e urbanista, especialista em planejamento de transportes e gestão ambiental. Para Ferreira a aplicação de políticas de planejamento integrado de transporte e uso do solo deve ser prioridade para promover a mobilidade ativa – caminhar e pedalar.

Carlos Laurito, diretor da Sobratema, Associação Brasileira de Tecnologia para Construção e Mineração, disse que a participação dos investimentos anunciados para a infraestrutura do transporte diante do PIB brasileiro é pífia. A participação caiu de 2,45% em 2009 para 2,00% em 2012 e não deve passar dos 2,4% este ano, quando, na visão do especialista, deveria ser de no mínimo 5%. “Temos esperança de chegar a 2018 com 3%”, anunciou. Laurito citou pesquisa da Sobratema com as principais construtoras, em que 89% indicam a burocracia como principal gargalo. Em seguida aparecem os modelos de licitação e contratação (67%), a diferença entre o discurso e a realidade (56%) e a deficiência logística (22%).

REGIÃO METROPOLITANA - Rovena Negreiros – “A mobilidade é um problema de escala, não de competência”, afirmou Rovena Negreiros, diretora da Emplasa. Para a dirigente, São Paulo deve ser avaliada como macrometrópole, que abrange a região metropolitana, Baixada Santista, Vale do Paraíba, e os municípios de Jundiaí, São Roque, Sorocaba, Bragantina, Campinas e Piracicaba. De acordo com Rovena, em 2010 a região somava 19,6 milhões de pessoas e o PIB de R$ 701,8 bilhões. Ela destacou o fato de que cerca de 1 milhão de pessoas usam da infraestrutura de São Paulo a cada dia, mas não moram na cidade.

Na análise de Rovena, a pressão sobre a mobilidade aumentou por uma feliz conjuntura de crescimento de renda, e a cidade precisa manter a capacidade de atrair investimentos mediante a indução da ocupação planejada do solo para áreas menos adensadas. Para a diretora da Emplasa, os principais desafios e gargalos de São Paulo são a manutenção da competitividade e/ou perda de sua posição econômica para outras regiões, infraestrutura econômica e social, inadequações da matriz de transportes, dificuldades de promover urbanização inclusiva e coesão territorial, baixo envolvimento do mercado e da sociedade, falta de transparência nas ações públicas e desarticulação dos governos.

Cláudio de Senna Frederico, consultor e membro da comissão de ônibus da ANTP, Associação Nacional de Transportes Públicos, disse que “para continuar perdendo basta organizar separando por federal, estadual e municipal, ou ônibus, metrô e trem”. Favorável à gestão operacional integrada, Senna afirmou que a cidade, o sistema, os hábitos e a sociedade precisam mudar. Defendeu soluções como espaço exclusivo para ônibus, melhorias na superfície e geometria das vias, restrições de estacionamento nas ruas e novas edificações, menos linhas superpostas, linhas expressas, melhor controle de tráfego, menos uso de carro em locais e horários determinados, frotas mistas de ônibus de acordo com os horários de pico, e mais câmeras para supervisão de segurança.

Ailton Brasiliense, presidente da ANTP, deu foco à política tarifária e à qualidade do transporte público, que qualificou precário. “A demanda do sistema ônibus está em declínio, perdendo para motos e carros, por que o órgão público abdicou da gestão operacional, as tarifas estão acima da inflação, sem referência de cálculo, e a oferta de serviços se caracteriza por tempo de espera elevado, falta de regularidade nos intervalos e lotação excessiva”, frisou. Brasiliense é favorável aos incentivos à ocupação mista da cidade nas áreas de corredores de transporte, eixos estruturais adensados e empregos em áreas de grande concentração de moradias, além de redes integradas de transporte com funções estabelecidas para cada modal. Para redução tarifária, sugere a redução de gratuidades, aplicação de descontos no vale transporte proporcionais aos salários, e divisão do pagamento da tarifa entre o usuário e governos.

A VISÃO DA PREFEITURA - Fernando de Mello Franco – “É impossível pensar só em âmbito municipal”, disse Fernando de Mello Franco, secretário de Desenvolvimento Urbano de São Paulo. Franco informou que o atual plano diretor elaborado em 2002 está em revisão, e que os critérios vão mudar. De acordo com Mello, a Capital passará a se analisada como uma macro área dividida em regiões reclassificadas por: áreas de estruturação metropolitana, a partir dos eixos das várzeas do Tietê e Pinheiros; de qualificação de urbanização consolidada; de redução da vulnerabilidade urbana; de recuperação urbana e ambiental, de contenção urbana e uso sustentável e de preservação dos ecossistemas naturais. “A estratégia é equilibrar oferta de moradia e emprego e associar desenvolvimento urbano e mobilidade, com ampliação do transporte público em linhas de trem, metrô e corredores de ônibus, além de intensificar o uso do solo ao longo dos eixos de transporte”, disse.

INOVAÇÕES APLICADAS A PRODUTOS - Daniel Spinelli, gerente de Engenharia de Produto da Mercedes-Benz, mostrou as inovações para ônibus. “Buscamos inspiração nos desafios do transporte coletivo”, destacou. Spinelli classificou o sistema de transporte BRT (Bus Rapid Transit) como o modelo de transporte coletivo de média capacidade capaz de atingir o desempenho e qualidade de um sistema de metrô, com a simplicidade, flexibilidade e custo de um sistema de ônibus, além oferecer de soluções como previsão de partida, tempo de viagem, conforto de infraestrutura a acessibilidade.

Entre as novas tecnologias disponíveis, Spinelli apontou sistemas de segurança (assistente anti-colisão, visão noturna, optguide, sistemas de aviso e condução), acessibilidade (chassis integrados, portas de acesso para atender a diversos sistemas, ergonomia, piso baixo e plataformas), trânsito e comunicação (manobrabilidade, ocupação do solo por passageiro transportado, sistemas de comunicação veículo/veículo, infraestrutura/veiculo e com os passageiros, e gerenciamento da operação), conforto (suspensão a ar, motor traseiro, câmbio automático), emissões e propulsão alternativa (diesel/gás). O engenheiro falou ainda da importância da discussão conjunta entre órgãos regulamentadores e indústria para a viabilização de veículos e serviços que favoreçam os usuários de transporte coletivo, e defendeu a rentabilidade do sistema de transporte como premissa em todos os projetos.

Ayrton Amaral, gerente de Negócios da Volvo, apontou aspectos energéticos e ressaltou a importância de alternativas futuras para a mobilidade diante do crescimento do consumo. “O transporte urbano do futuro serão os BRTs articulados híbridos, com alimentadores plug-in de carregamento rápido nos terminais, trem metropolitano e BRT expresso movido a combustíveis limpos e também veículos 100% elétricos para zonas centrais”, disse.

Adalberto Maluf, diretor da cidade de São Paulo no C40, que reúne as 40 maiores cidades do mundo para a troca de experiências sustentáveis, discorreu sobre a demanda por eficiência energética e novas tecnologias em teste. Maluf mostrou que as cidades trabalham em várias frentes, com resultados positivos em testes. “Em São Paulo a eficiência energética é padronizada pela capacidade máxima de passageiros”, destacou. Para Maluf, o desafio é treinar motoristas, que influenciam variações no consumo do veículo pelo modo de dirigir. “O custo de operação e de manutenção afetam as economias mais do que os custos de capital”, finalizou.




Mais informações à imprensa:
Companhia de Imprensa
Maria do Socorro Diogo - msdiogo@companhiadeimprensa.com.br
Susete Davi – susete@companhiadeimprensa.com.br
Telefones (11) 4435-0000 e 97204-1921

 Buscar release:
   
 Perfil da empresa

A SAE BRASIL é uma associação sem fins lucrativos que congrega engenheiros, técnicos e executivos unidos pela missão comum de disseminar técnicas e conhecimentos relativos à tecnologia da mobilidade em suas variadas formas: terrestre, marítima e aeroespacial.
A SAE BRASIL foi fundada em 1991 por executivos dos segmentos automotivo e aeroespacial, conscientes da necessidade de se abrir as fronteiras do conhecimento para os profissionais brasileiros da mobilidade, em face da integração do País ao processo de globalização da economia, ora em seu início, naquele período. Desde então a SAE BRASIL tem experimentado extraordinário crescimento, totalizando mais de 6 mil associados e 10 seções regionais distribuídas desde o Nordeste até o extremo Sul do Brasil, constituindo-se hoje na mais importante sociedade de engenharia da mobilidade do País.
A SAE BRASIL é filiada à SAE INTERNATIONAL, associação com os mesmos fins e objetivos, fundada em 1905, nos EUA, por líderes de grande visão da indústria automotiva e da então nascente indústria aeronáutica, dentre os quais se destacam Henry Ford, Orville Wright e Thomas Edison, e tem se constituído, ao longo de mais de um século de existência, em uma das principais fontes de normas, padrões e conhecimento relativos aos setores automotivo e aeroespacial em todo o mundo, com mais de 35 mil normas geradas e mais de 138 mil sócios distribuídos por cerca de 100 países.

Divisão Assessoria de Imprensa • Rua Álvares de Azevedo, 210 • Cj. 41 • Santo André • SP • Fone/Fax (11) 4435-0000
Divisão Publicações • Rua Álvares de Azevedo, 210 • Cj. 61 • Centro • Santo André • SP • Fone (11) 4432-4000 • Fax (11) 4990-8308