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11/10/2011
COMPETITIVIDADE E QUALIDADE: UMA QUESTÃO DE EDUCAÇÃO

Mario Guitti*

Todos têm falado do aumento da alíquota do IPI para veículos importados de países que não fazem parte do Mercosul ou que não têm acordo bilateral de comércio com o Brasil, como China, Coréia, Alemanha, entre outros. A medida foi acertada? Não sabemos ainda. Ao mesmo tempo, fala-se muito em competitividade e proteção à indústria nacional, dois assuntos que precisam e devem ser analisados com maior profundidade.

Competitividade tem de existir, mas só há competitividade se todos os players atuarem no mesmo mercado. Aumentar impostos impacta no consumidor; com certeza ele será o maior prejudicado em toda esta história, pois diminuirão as opções de compras compatíveis com o bolso dele. Existem, porém, outras formas de aumentar a competitividade, e esta é uma lição que governo e empresários devem fazer todos os dias, no trabalho e em casa.

O governo precisa trabalhar para melhorar o chamado ‘Custo Brasil’, com melhorias em infraestrutura e reforma tributária. Isso é fato mais do que discutido nas reuniões empresariais. Ele tem feito isso, ainda que a passos não tão rápidos quanto gostaríamos, mas, já começou. Porém, o buraco é mais embaixo.

Há a necessidade de aprimorar os investimentos em Educação. Exemplos não faltam. A Coréia colhe hoje os frutos dos trabalhos nas décadas dos anos 70 e 80, quando decidiu priorizar a educação. Este é um ponto que precisa ser aperfeiçoado, do nível Básico ao Superior, e não somente com abertura de vagas, mas na formação das pessoas.

Muitas vagas não significam necessariamente mais profissionais capacitados. Segundo dados do Conselho Nacional de Justiça, existem mais faculdades de Direito no Brasil (1.240) do que no resto do mundo (1.100)! A informação que existe é de que se não houvesse o exame da Ordem dos Advogados, o número de profissionais atuantes, que é de 800 mil, passaria dos 3 milhões. E por favor, nada temos contra esses profissionais!

No caso dos cursos de Engenharia, os institutos de ensino no Brasil abrem anualmente 180 mil vagas. Depois do vestibular, 150 mil são preenchidas e destes, 60% desistem nos primeiros anos. É preciso aumentar o percentual de alunos que terminam o curso. Para se ter ideia, o valor investido por aluno aqui na USP é na ordem de R$ 30 mil por ano. Nos Estados Unidos, R$ 450 mil ou até mais, como nas grandes escolas. Isso para que ele se forme engenheiro.

Na Europa e Estados Unidos é comum a associação entre academia e empresas para fomentar a inovação e o desenvolvimento tecnológico. As empresas levam os temas e os problemas para esses centros que desenvolvem as pesquisas em busca de soluções e são remunerados tanto pela empresa quanto pelo governo. Esta é uma forma interessante das empresas, da universidade (estudantes, pós-graduados, mestres e doutores) e do governo de participarem deste processo. Isso já existe, porém precisa ser largamente ampliado no Brasil.

Esta é uma fórmula para melhorar o nível tecnológico no Brasil. Não vale apenas para o Superior, é algo que pode ser aplicado em todos os níveis. Temos hoje cerca de 8 milhões de desempregados e, ao mesmo tempo, 8 milhões de vagas disponíveis, mas os números não fecham, pois quem está desempregado não atende às exigências dos cargos.

Assim como fez a Coréia, podemos nos tornar competitivos o bastante, independente de alíquotas ou outros recursos artificiais, mas para isso temos de investir na base, que é a educação da nossa sociedade.


*Mario Guitti é superintendente do IQA - Instituto da Qualidade Automotiva




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