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 Release
29/07/2010
A engenharia brasileira na Era do Trem de Alta Velocidade

Peter Andreas Gölitz*

Ao que tudo indica, mais um antigo plano brasileiro está prestes a se concretizar: o Trem de Alta Velocidade. Inicialmente ligando São Paulo ao Rio de Janeiro e a Campinas, a tendência é que, após uma rápida fase de adaptação às condições locais e do aprendizado de todos os envolvidos no projeto, este tipo de transporte se expanda ainda nesta década, alcançando vários outros importantes centros regionais e aproximando mais as pessoas e empresas brasileiras em seu cotidiano.

O aumento do número de ligações ferroviárias, sejam de média ou de alta velocidade, é um caminho natural para a continuação do crescimento econômico de países maduros. A chegada desta nova rede de transportes ao Brasil possibilita este impulso de crescimento e alivia a infraestrutura existente. Além disso, viabiliza mercados e negócios, que até então ainda não eram possíveis ou não eram atrativos e, consequentemente, gera novas oportunidades, empregos e uma utilização mais inteligente dos recursos em todo o seu entorno.

É fácil observar isso, ao verificar os resultados alcançados por diversos países bem-sucedidos na economia mundial. França, Alemanha, Itália, Espanha, Japão, China, Coréia do Sul e tantos outros têm, sucessivamente, encontrado nos sistemas ferroviários de média e alta velocidades as soluções para seus problemas de mobilidade e acessibilidade. Para estes países, tomar esta decisão foi uma consequência natural de seu crescimento. Foi o adensamento urbano, a reorganização das regiões, assim como o aumento na qualidade de vida das pessoas, o que levou estes países a se decidirem por esta solução. Hoje sua economia não está mais refém da infraestrutura, pois sua matriz de transportes é equilibrada.

Sabemos que muitos países seguirão este caminho e o Brasil, pelos mesmos motivos, está naturalmente entre eles. O mercado brasileiro está maduro, a política é estável há vários anos e a economia cresce, mesmo em tempos difíceis. A necessidade de novas conexões rápidas entre as metrópoles brasileiras se torna cada dia mais evidente.

O projeto do Trem de Alta Velocidade brasileiro tornou-se um objetivo atingível, e já é desejado e perseguido por diversos segmentos da sociedade. É só uma questão de tempo para se concretizar. Indústria, comércio e governo procuram por caminhos há vários anos, e agora trabalham para sua rápida execução.

Como em tantos outros momentos históricos, a engenharia brasileira terá um papel central para a concretização e expansão desta nova rede de transportes. O modelo escolhido pelo governo, visando à implantação do primeiro trecho, prima por uma tarifa acessível, pela nacionalização da tecnologia e da fabricação do trem e por uma construção rápida. Porém, o possível traçado da linha contém grandes desafios à engenharia, pois há três regiões metropolitanas a serem conectadas, serras íngremes para vencer e vales povoados a atender – tudo em alta velocidade!

Haverá verdadeiras batalhas nos campos da engenharia civil, elétrica, informática e telecomunicações, além de inovações na administração e finanças deste empreendimento.

Felizmente, a engenharia brasileira já enfrentou desafios tão grandes quanto este em meados do século 19, quando as primeiras ligações ferroviárias foram colocadas em operação, e não teme o desafio atual. Porém, a implantação desta nova tecnologia, nestas condições tão especiais, não será nada trivial.

Objetivando uma rápida aquisição do conhecimento e sua retenção para a futura expansão desta rede, o modelo de concessão da nova ferrovia prevê a transferência de tecnologia pelos países interessados para o Brasil. Serão necessárias centenas de novos profissionais competentes, assim como o acesso à competência já existente, o que faz este tema ser, no mínimo, muito interessante para todos.

Também a discussão sobre a integração entre os sistemas ferroviário, rodoviário e aéreo está neste contexto e é importantíssima para o Brasil, pois vai contribuir com conceitos que mudarão o futuro da mobilidade brasileira.

Por isso, o Congresso SAE BRASIL 2010, que será realizado de 5 a 7 de outubro, estará enfocando, entre outros temas, esta importante alternativa de mobilidade para o Brasil. Em uma visão global, este ano o congresso irá explorar as competências da engenharia brasileira para a mobilidade do futuro e formas para expandi-la nos próximos anos.


*Peter Andreas Gölitz é diretor do Comitê Ferroviário do Congresso SAE BRASIL 2010

Mais informações à imprensa:
Maria do Socorro Diogo - msdiogo@companhiadeimprensa.com.br
Estefânia Basso – estefania@companhiadeimprensa.com.br
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A SAE BRASIL (Sociedade de Engenheiros da Mobilidade) é uma associação sem fins lucrativos e que congrega pessoas físicas (engenheiros, técnicos e executivos) unidas pela missão comum de disseminar técnicas e conhecimentos relativos à tecnologia da mobilidade em suas variadas formas: terrestre, marítima e aeroespacial.

A SAE BRASIL foi fundada em 1991 por executivos dos segmentos automotivo e aeroespacial, conscientes da necessidade de se abrirem as fronteiras do conhecimento para os profissionais brasileiros da mobilidade, em face da integração do País ao processo de globalização da economia, ora em seu início, naquele período. Desde então a SAE BRASIL tem experimentado extraordinário crescimento, totalizando mais de 5 mil associados e 10 seções regionais distribuídas desde o Nordeste até o extremo Sul do Brasil, constituindo-se hoje na mais importante sociedade de engenharia da mobilidade do País.

A SAE BRASIL é filiada à SAE International, uma associação com os mesmos fins e objetivos, fundada em 1905, nos EUA, por líderes de grande visão da indústria automotiva e da então nascente indústria aeronáutica, dentre os quais se destacam Henry Ford, Thomas Edison e Orville Wright, e tem se constituído, ao longo de mais de um século de existência, em uma das principais fontes de normas, padrões e conhecimento relativos aos setores automotivo e aeroespacial em todo o mundo, com mais de 5 mil normas geradas e mais de 85 mil sócios distribuídos por 93 países.

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